O caminho para o profissionalismo no futebol

Para tirar a poeira do blog, eu trago aqui a primeira parte do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) defendido em 2011 na Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Esse primeiro trecho de “O Futuro Numa Bola: O Caminho Para O Profissionalismo No Futebol” traz as histórias do então menino Carlos Mathias e de Diogo Bernardes.

O caminho para o profissionalismo no futebol

Às 11h30 do dia 9 de novembro de 2011, Santos e Neymar fechavam o acordo que garante a renovação do contrato do atleta com o time paulista até agosto de 2014. No novo contrato, Neymar passa a ganhar R$ 2,3 milhões por mês, valor não confirmado oficialmente pelo clube. Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo, outro ídolo do futebol ganha entre R$ 1 milhão e R$ 1,1 milhão. Em 25 de abril de 2011, o site Futebol Finance divulgou uma lista chamada “Os 100 maiores salários de jogadores de futebol”. É encabeçada pelo português Cristiano Ronaldo (€ 1 milhão por mês, cerca de R$ 2,39 milhões), do Real Madrid; e pelo argentino Lionel Messi (€ 875 mil por mês, cerca de R$ 2 milhões), do Barcelona, ambos clubes da Espanha. Além dos salários astronômicos, os craques do futebol são vistos com freqüência em festas badaladas, acompanhados de modelos e atrizes ou desfilando com barcos de luxo e carros importados.

Quem não acompanha o futebol, não percebe ser uma minoria que faz parte desse grupo. Um jogador da Divisão de Acesso (terceira divisão) do Campeonato Catarinense, por exemplo, ganha menos de R$ 1 mil, isso quando recebe. Não pagamento de salário é uma constante nas divisões inferiores do futebol brasileiro. E mais do que isso. Quem não conhece o futebol não sabe o difícil e longo caminho que os meninos brasileiros percorrem até se tornarem jogadores de futebol profissional. Muita concorrência, falta de espaço, de chance, de condições financeiras, entre outros problemas. Dificuldades essas que fazem muitos deles desistam no meio do caminho.

Se a realidade de astro é para poucos, o sonho é de muitos. Na cidade de Itajaí, litoral norte de Santa Catarina, cerca de mil jovens estão inscritos nas 16 escolinhas de futebol cadastradas na Fundação Municipal de Esporte e Lazer (FMEL). Todos com o mesmo objetivo: chegar ao futebol profissional. Entre eles, Carlos Mathias, ou Tabaco, como é chamado por seus amigos do morro do Bairro Nossa Senhora das Graças, o Matadouro.

A baixa estatura e a falta de força física, em comparação aos seus marcadores, mesmo os de sua idade, são compensadas pela velocidade e pela habilidade na condução da bola. Tabaco gosta de jogar com a bola bem próxima ao pé, o que ajuda nos dribles curtos, sua especialidade. Estilo que lembra o meio-campista chileno Valdívia, do Palmeiras, seu time de coração.

O jeito de jogar de Tabaco começou a ser desenvolvido com os pés descalços e longe da grama sintética de sua escolinha de futebol. Foi nas ruas do bairro Nossa Senhora das Graças, jogando com os amigos, que ele deu os primeiros passos. Nem o garoto lembra com exatidão quando começou sua paixão pelo futebol. “Eu tinha uns 4 anos”, chuta. “Ficava vendo os caras jogarem na TV. Ronaldo, Romário, Robinho, aí decidi que também queria fazer isso”.

Ele tem 12 anos, mas, se é pequeno de estatura, seu futebol é de gente grande. “Se ele realmente quiser, vai ser um jogador de futebol”, garante Edson Bachmann, professor da escolhinha ADR Dom Bosco, onde o menino treina há seis meses. A falta de condições financeiras é driblada com uma mãozinha. Tabaco e outros cinco meninos dos bairros Nossa Senhora das Graças e Dom Bosco não precisam pagar mensalidade na escolinha. Os demais meninos, cerca de 40 nas três unidades (Itajaí, Balneário Camboriú e Navegantes), pagam o valor de R$ 40. Os valores das mensalidades nas escolinhas de futebol de Itajaí variam muito. A Associação Itajaí Esporte Clube (fundada em 1999) cobra R$ 25 de seus alunos.

Não são só os valores que variam. Entre as 16 escolinhas inscritas na FMEL, apenas cinco são de campo, as outras se dividem entre quadra sintética (como a ADR Dom Bosco) ou quadras de futsal. Aliás, a Fundação de Esportes tem, há pouco tempo, um cadastro com as escolinhas da cidade e a inscrição não é obrigatória. As que procuram a FMEL o fazem para poder receber algum tipo de auxílio. Não há, entre as escolinhas, nenhum tipo de associação ou entidade que as regularize ou as organizem. Algumas já foram criadas na região, mas não sobreviveram.

A última foi a Associação das Escolinhas de Futebol e Modalidades Esportivas Outras de Itajaí e Região (AEFMDOIR), criada pelo ex-jogador do Marcílio Dias, Paulinho Portugal. Em 2010, a AEFMDOIR criou o Campeonato das Escolinhas de Futebol de Itajaí e Região, mas só conseguiu reunir oito equipes. “Começou a acontecer muita coisa que não concordávamos. Houve algumas brigas e a associação terminou”, conta, sem entrar em muitos detalhes, Carlos César de Oliveira, conhecido como Césinha Camarão, professor da escolinha do Itajaí Esporte Clube. Hoje a AEFMDOIR não faz o trabalho de “associação das escolinhas” e sua única atividade é administrar de forma terceirizada as categorias de base do Clube Náutico Marcílio Dias.

Este ano a Liga Itajaiense de Desportos (LID) foi atrás das escolinhas. Pela primeira vez, a entidade organizou os campeonatos de futebol amador das categorias infantil (sub-15) e juvenil (sub-17). Seis clubes se inscrevem em cada uma dessas competições. No total, participaram 156 atletas no campeonato infantil e 168 no juvenil.

Nem a Federação Catarinense de Futebol (FCF) conseguiu reunir um grande número de escolinhas. O Campeonato Catarinense Infantil da Região Litoral está sendo disputado por 15 equipes. O Departamento de Registro e Transferência da FCF contabiliza 174 inscrições na competição. Número muito maior de registros é encontrado nos campeonatos estaduais juvenil (1.041) e júnior (2.255).

Mas esses dois campeonatos possuem uma particularidade: são obrigatórios. Todas as equipes que disputam o Campeonato Catarinense Profissional precisam disputar os estaduais de juvenis e juniores, que também são divididos em três divisões (Principal, Especial e de Acesso), onde as equipes jogam de acordo com sua divisão no campeonato profissional. Mas se há registro estadual para essas três categorias (infantil, juvenil e júnior – sub-20), não há nas categorias inferiores: mirim (sub-13), pré-mirim (sub-11) e fraldinha (sub-9).

Muitas escolinhas não participam das competições oficiais e preferem, quando há interesse, organizar suas próprias competições com equipes parceiras. Não há nenhuma padronização entre as entidades que ensinam os fundamentos do futebol aos nossos jovens. Nem quanto às técnicas utilizadas ou até a quantidade de treinos por semana, que varia de dois a três dias, variação que também depende da categoria.

No caso de Tabaco, os treinos acontecem três vezes por semana. Ele acorda por volta das 7h30 e, sozinho ou com amigos, vai a pé até a Ilha Soccer, local que abriga a escolinha Dom Bosco, na Rua Hilda Breittenbauch, cerca de 800 metros de casa. Os treinos de sua categoria (pré-mirim, de 10 a 12 anos) começam às 8h30. Uma dificuldade a menos para o jovem nos últimos meses.

Nos primeiros dias na escolinha Dom Bosco, Tabaco acordava mais cedo, às 7h, quando seus pais iam trabalhar, mas o menino não ia para a escolinha. O jovem, o terceiro de quatro filhos, ficava cuidando de seu irmão mais novo, de cinco anos, até sua avó chegar para fazer o almoço. Só então, Tabaco estava liberado para ir treinar e acabava chegando depois das 10h, horário dos menores de 10 anos. Com isso, o jovem treinava com meninos mais novos que ele, o que acabou o desanimando. As faltas começaram a ficar freqüentes. Treinos separados para dar ritmo e uma chuteira nova foram as formas encontradas por Bachmann para manter o garoto na escolinha. “Ele é minha maior esperança de formar um jogador daqui”, justifica.

Mas os treinos fora de hora estão no passado. “Minha mãe parou de trabalhar. Agora posso vir no meu horário normal”. E pode voltar a sua rotina. Quando não está na escolinha, Tabaco está com os amigos jogando bola ou brincando nas ruas. Passa pouco tempo em casa. Aliás, esse é um assunto que o jovem não toca. Gosta de conversar sobre futebol, mas foge de assuntos familiares. O que traz uma preocupação ao treinador. “Estou levando ele na semana que vem para um teste e ele ainda não me trouxe a ficha que pedi. Nem eu conheço os pais dele, o único contato que tenho, e é muito pequeno, é com a vó”.

Mais do que a preocupação com a ficha de inscrição e a autorização para viajar, Bachmann teme que a falta da presença e do apoio da família possa pesar em momentos difíceis. “Muitos desses meninos são cabeça quente, a família é importante nisso. O Geová, também do Matadouro, era uma menino excelente, mas não se tornou jogador porque perdeu duas grandes chances por brigas e desobediência, uma delas num clube onde ele já tinha sido aprovado”. Geová Geovane Oliveira, hoje com 26 anos, é jogador de futebol amador, destaque da equipe do Dom Bosco, terceira colocada na Copa Primavera, o segundo campeonato amador mais importante da região. Titular também na equipe do Trevo, que disputa o campeonato da LID.

Hoje Tabaco treina junto com os garotos de sua idade e se prepara para a grande chance de sua “carreira” até aqui. Dia 21 de novembro, segunda-feira, o jovem tem teste marcado em Florianópolis, no Figueirense. Se passar, ele volta no sábado, dia 26. Uma nova aprovação pode vir acompanhada de um convite para fazer parte da escolinha do alvinegro, um grande passo rumo ao seu sonho.

Nem todos chegam ou se mantém

O longo e árduo caminho faz muitos desistirem e procurarem outras opções. A falta de expectativas, de condições financeiras e de espaço são as principais dificuldades encontradas pelos jovens. Quando não fazem o menino abandonar o seu sonho, deixa-o, no mínimo, com dúvida. É nessa fase que está Diogo Bernardes, que recém completou 18 anos.

Diogo viu o sonho ficar cada vez mais próximo em 2010. Com 17 anos, o jovem de 1,80m conseguiu uma vaga no time juvenil do Marcílio Dias, que disputaria o Campeonato Catarinense Juvenil da Divisão Especial (segunda divisão). A boa técnica fez Diogo ganhar a titularidade e a camisa 3 da equipe, que viria a ser a campeã da competição. Durante o torneio, ele não só manteria a posição de titular como passaria a ser o capitão do time.

A final foi contra o Concórdia, e a primeira partida foi em Itajaí. Com atuação impecável de Diogo e seu companheiro de zaga, Vinicius Gomes, o ataque do time do Oeste do Estado não funcionou. Já o ataque marcilista estava em boa tarde e os itajaiense venceram por 2 a 0, com gols dos atacantes Euller e Welber (que acabaria como artilheiro da competição).

Na partida de volta, Diogo já não foi tão bem, acabou inclusive expulso. Derrota por 1 a 0 em Concórdia, mas título garantido por causa do resultado na primeira partida. Diogo foi considerado um dos destaques do bom time marcilista, junto com o volante Serginho e a dupla de ataque Euller e Welber.

O título e as boas atuações deram a esperança de um 2011 ainda melhor. Mas isso não aconteceu. Por causa da idade, o jovem trocou de categoria, passando para o júnior. Como o time profissional do Marcílio Dias passou da Divisão Especial para a Principal, o mesmo aconteceu nas categorias inferiores.

Para enfrentar os times de juniores de clubes como Avaí, Figueirense, Joinville e Criciúma, o Departamento de Futebol Amador do Marcílio Dias, responsável pelas categorias de base, investiu na equipe. Em parceria com empresários de São Paulo trouxe vários atletas de fora. Diogo não conseguiu repetir as boas atuações do tempo de juvenil e perdeu espaço, ficando de fora do elenco do júnior. Tentou a sorte em outras equipes da região, mas não conseguiu a vaga que pretendia.

A desilusão fez o jovem dar um tempo no futebol. Diogo se matriculou no curso de Educação Física da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e voltou a procurar emprego. Conseguiu uma vaga no setor de comércio exterior de uma empresa de despacho aduaneiro.

Hoje, Diogo não sabe dizer o que vai fazer em 2012. “Pra falar a verdade, eu tô pensando bem no assunto. Porque eu era feliz pra caramba jogando futebol, mas também queria sair, dar uma volta, comprar uma roupa legal e mal tinha grana pra isso. Agora eu tô trampando num emprego bom, estou estudando. Mas tenho vontade de voltar sim”, diz o jovem.

Ele acredita que já conquistou bastante coisa este ano, entre elas, dinheiro para tirar a habilitação e comprar uma moto, o que lhe dá mais confiança para voltar a arriscar no futebol. “O trabalho é chato, mas paga bem”, brinca. Como se fosse um famoso jogador de futebol, Diogo não diz com exatidão seu salário, “uns dois mil mais ou menos”. Muito acima do que vai ganhar como atleta júnior no futebol e provavelmente no início de sua carreira como profissional, se ganhar uma chance. Salário baixo é regra no interior do futebol catarinense, em especial, nas divisões anteriores. Pouco mais de R$ 2 mil é o que ganha o treinador do Camboriú Futebol Clube, Eduardo Clara, o maior salário da equipe campeã do Campeonato Catarinense da Divisão Especial.

Apesar de ter um emprego fixo e estável, Diogo vai usar o restante do ano para pensar e decidir se larga de vez o futebol ou se volta a tentar uma chance. Sua esperança se agarra em um dado. “Ainda tenho mais dois anos de júnior”. Por causa disso, hoje, o jovem está mais para usar o restante do ano para guardar um bom dinheiro e em janeiro, mais uma vez, correr atrás do sonho de ser um jogador de futebol profissional.

Livro “O futebol em Santa Catarina” na Univali de Itajaí

Na noite desta quarta-feira (3) tem mesa-redonda na Univali de Itajaí com os autores do livro “O futebol em Santa Catarina: Histórias de Clubes (1910-2014)”, da editora Insular. A iniciativa é do curso de História da Universidade do Vale do Itajaí.

A mesa-redonda será formada por Alexandre Fernandez, da UFSC, Norberto Dallabrida, da Udesc, Lana Gomes Pereira e Francisco Braum Neto, da Univali. O evento será no auditório do bloco E1, do Campus Itajaí, a partir das 19h. A entrada é franca.

O livro traz uma série de textos sobre várias equipes de Santa Catarina, como os quatro representantes da Série A (Avaí, Figueirense, Joinville e Chapecoense), o representante da Série B (Criciúma), além de Marcílio Dias, Annita Garibaldi e Colegial.

Fifa: uma eleição difícil de vencer; as filiadas nanicas e as subvenções

Foto: Alexander Hassenstein - FIFA/FIFA via Getty Images

Foto: Alexander Hassenstein – FIFA/FIFA via Getty Images

A Fifa e a corrupção do futebol foi o grande tema da semana. Pessoas do alto escalão foram presas, entre elas, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin. No fim, a semana terminou com mais uma reeleição de Joseph Blatter. Duas ferramentas ajudam a manter um presidente da Fifa no poder: o número gigante de filiados e as subvenções a confederações e associações.

A lista de federações nacionais filiados a Fifa é maior do que a de países filiados a ONU. Muitos sequer são nações independentes ou possuem alguma tradição no futebol, mas elas têm o mesmo voto de Brasil, Alemanha, Itália e outros campeões mundiais.

O site Exame trouxe essa lista no ano passado, de 20 países que só são independentes na Fifa: Anguilla (ilha caribenha pertencente ao império britânico), Aruba (ilha próxima a Venezuela, pertencente aos Países Baixo), Bermuda (ilha caribenha pertencente ao império britânico), Curaçao (antiga Antilhas Holandesas), Guam (ilha estadunidense), Hong Kong (pertencente a China), Ilhas Cayman (paraíso fiscal caribenho pertencente ao império britânico), Ilhas Cook (ilha da Oceania vinculada a Nova Zelândia), Ilhas Faroe (pertence a Dinamarca), Ilhas Virgens Americanas (pertence aos EUA), Ilhas Virgens Britânicas, Macau (pertence a China), Montserrat (ilha caribenha pertencente ao império britânico), Nova Caledônia (arquipélago na Oceania), Palestina, Samoa Americana (ilha na Polinésia), Taiti (maior ilha da Polinésia Francesa), República da China (Estado que administra Taiwan, apesar de a China o considerar seu território) e Ilhas Turks e Caicos (território britânico próximo ao Haiti). Sim, são 19 países nesta lista.

Porto Rico é a 20ª, um caso à parte. Estado livre associado aos EUA, decidiu por 65% do votos, no plebiscito de 2012, se tornar o 51º estado norte-americano, mas essa oficialização ainda depende de aprovação do Congresso dos EUA.

Se olharmos a lista completa de filiados a Fifa, notaremos que a maioria é completamente insignificante no mundo do futebol. Mas é aí que mora o grande trunfo de quem comanda a entidade. Elas são muito importantes nas eleições da entidade. São 209 votos secretos com o mesmo peso.

Votos por confederações continentais:
UEFA = 53 federações
CAF (África) = 54 federações
OFC (Oceania) = 11 federações
CONMEBOL (América do Sul) = 10 federações
CONCACAF (resto da América) = 35 federações
AFC (Ásia) = 46 federações

Esse ano, por exemplo, a UEFA fez campanha forte a favor do príncipe jordaniano Ali bin Al-Hussein, favorito também dos Estados Unidos. Mas as ilhas caribenhas e a maioria dos países asiáticos e africanos foram pró-Blatter.

A principal moeda de troca da Fifa é o Programa de Assistência Financeira, repasses feitos a confederações e associações para o “desenvolvimento do futebol”. No livro “Um jogo cada vez mais sujo” (Panda Books, 2014), o jornalista britânico Andrew Jennings conta que o Relatório Financeiro da entidade mostrou um gasto de US$ 177 milhões para “desenvolvimento do futebol” do total de US$ 1,166 bilhão, a receita da Fifa em 2012.

Há também os projetos de fomento ao futebol. Com o apoio de Jeffrey Webb (Ilhas Cayman) e Jack Warner (Trinidad e Tobago), Blatter, por meio da Fifa, ajudou a financiar reformas de estádios e construções de centros de excelência no Caribe, principal bloco de apoiadores do presidente reeleito.

A CBF também gasta parte de suas despesas com subvenções as federações estaduais, R$ 31.583 em 2014, segundo seu balanço financeiro. Nada ilegal. Algumas vivem praticamente só disso e dos 10% da renda bruta das partidas. Mas é interessante lembrar que as federações representam 27 dos 47 votos (os clubes da primeira divisão também votam) na eleição para presidência da entidade.

Um Del Nero na mira separa Delfim da presidência da CBF

Foto: Ronaldo Silva Jr/Jornal Diarinho

Foto: Ronaldo Silva Jr/Jornal Diarinho

Parece questão de tempo para Delfim Pádua Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) há 30 anos, assumir, nem que seja interinamente, a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com o afastamento de José Maria Marin, Delfim passa a ser o vice-presidente mais velho da CBF, portanto, o primeiro da linha sucessória da entidade presidida por Marco Polo Del Nero.

Claro, isso só acontece com a renúncia ou afastamento do ex-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Mas isso não é nada improvável de acontecer no andamento das investigações do FBI. O documento de 164 páginas da justiça estadunidense detalha, sem citar muitos nomes, a ação de muitos corruptos do alto escalação do futebol mundial, a maioria ligados a Fifa. Principalmente no esquema de propinas de empresas de marketing na compra de direitos de transmissão e lavagem de dinheiro.

Um trecho do documento diz que o Co-Conspirador 6 avisou ao Co-Conspirador 2 que o pagamento de propina negociado com o Co-Conspirador 11 de R$ 2 milhões teria que ser dividido com outros oficiais da CBF, entre eles, José Maria Marin e o Co-Conspirador 12. Foram transferidos US$ 500 mil dólares da “Sports Marketing Company 2” no dia 5 de dezembro de 2013 e US$ 450 mil da Traffic no dia 23 do mesmo mês. As dicas dadas durante o documento fizeram o site Trivela cravar que o Co-Conspirador 6 é Kléber Leite (ex-presidente do Flamengo e dono da Klefer), o Co-Conspirador 2 é José Hawilla (fundador da Traffic), Co-Conspirador 11 é Ricardo Teixeira e o Co-Conspirador 12 é Marco Polo Del Nero. A “Sports Marketing Company 2” seria a Klefer, de Kléber Leite.

Se as informações estão corretas, não vai demorar para Del Nero ser envolvido. E essa não é a única citação dele no documento. Talvez seja esse o motivo da saída precoce do presidente da CBF do Congresso da Fifa, antes mesmo da eleição da presidência. Ainda sim, não acho que uma possível queda de Del Nero seja rápida.

Delfim tá na dele. Nas entrevistas defende e diz acreditar na inocência de Marin e Del Nero. Também diz estar pronto para assumir a entidade caso seja necessário. Em entrevista ao radialista Zélio Prado, falou que só assumiria a CBF se fosse algo temporário, provisório, onde conduziria uma nova eleição. Um mandato permanente o obrigaria a deixar a Federação Catarinense, onde ele tem mandato até 2019. Também acho que ele não iria. Além de ter que largar tudo aqui, a presidência da CBF não é hoje o cargo mais desejado por ninguém. Os holofotes estão todos lá.

O prejuízo do rebaixamento no Catarinense

Foto: Divulgação/Camboriú FC

Foto: Divulgação/Camboriú FC

Ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Catarinense é um prejuízo e tanto, e nem só pelo fato de ficar quase um ano parado sem calendário. Fica muito difícil fechar as contas.

Quem passou por isso no ano passado foi o Camboriú Futebol Clube. Segundo balanço financeiro publicado no site da Federação Catarinense de Futebol, o Tricolor saiu de um superávit de R$ 416 mil em 2013 para um déficit de R$ 55 mil no ano passado.

Só de receita de renda de jogos, a equipe faturou R$ 11,4 mil a menos que na primeira divisão. O prejuízo maior foi ficar sem cota de televisão, lá se foi uma receia de cerca de R$ 240 mil. Uma competição maior, com número muito maior de viagens e para lugares mais longe que na Série A, ajudaram a aumentar ainda mais os gastos com futebol profissional, passando de R$ 209 mil para R$ 452 mil. O estrago nas contas do clube só não foi maior graças aos R$ 200 mil arrecadados com a venda de atletas.

Esse ano o clube planeja gastar um pouco menos do que o ano passado e conseguiu o aumento de alguns patrocínios, mas ainda busca novos parceiros para ter um ano financeiro mais tranquilo. A aposta em Paulo Foiani como treinador, com curto, mas bom currículo, é para buscar o acesso e assim ter um 2016 bem melhor.